À força e à vontade – Fábio Gondim

tenho vontade do que não pode,
desejo do que não vejo,
apuro do que é tarde,
saudade do que é futuro,
demora do que é agora.

tenho a força e a vontade.
mas qualquer pirata me invade,
qualquer puta me encanta,
qualquer infeliz me faz feliz,
qualquer migalha me sustenta.

a tudo que é estrago me apego,
de tudo que preste me canso.
dos restos no chão me alimento,
limpando os lábios com o braço.

nos bares as mesas percorro,
sugando dos copos o choro,
fumando dos outros os filtros.

sigo bebendo de corpo em corpo,
até que um porre me faça morto.

Fábio Gondim. 
Obcecado pelas coisas do corpo. Amor, ódio, saudade, toda essa arquitetura sentimental se engasta na fluidez do sangue. O ritmo arterial conduz os versos, sempre na iminência de pequenos infartos. Perigoso, esse cara.

Prefácio por: Volmir Cardoso Pereira

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