Tião Carreiro eterno!

Falar sobre a música sertaneja e não lembrar das modas de viola é quase impossível. Assim como não
se

lembrar também de José Dias Nunes. O quê? Você não se lembra de José Dias Nunes? Ta e se eu falar de alguns dos seus maiores sucessos como Pagode em Brasília, Rei do Gado, Ferreirinha e Travessia  do Araguaia? Agora lembrou? Então hoje vamos falar  do monstro sagrado da viola, Tião Carreiro, batizado com esse nome pelo prestigiado compositor sertanejo Teddy Vieira em 1956.

Tião Carreiro, que formou uma dupla de muito sucesso com Pardinho, é, com certeza, a fonte de inspiração a muitos cantores sertanejos. Trouxe uma magia a música sertaneja com seu dedilhado inconfundível  da viola caipira e sua poesia ao falar de coisas simples do sertão, que eram sua marca registrada. 
O saldo desta carreira de sucesso: 25 discos 78 rpm com Pardinho e Carreirinho, mais de 50 LPs com variados parceiros, dois LPs em solos de viola caipira e mais de 300 composições com os mais importantes nomes – Teddy Vieira, Dino Franco, Moacyr dos Santos, Zé Carreiro, Zé Fortuna, Carreirinho e Lourival dos Santos, amigo, conselheiro e companheiro mais constante.
Foi  também um dos grandes responsáveis pela popularização da música sertaneja, tirando-a dos programas sertanejos das rádios nas madrugadas e colocando-a nos teatros, rodeios, exposições e no horário nobre da televisão.
Morreu em 15 de outubro de 1993 e deixou seu legado que inspiram jovens a curtir a moda de viola, como é o caso da jovem Letícia Paula de Oliveira ou Lele Careiro, como ela se apresenta nas redes sociais.
Lele tem 19 anos e poderia hoje, como muitas outras jovens da sua idade, estar vislumbradas com os nomes mais famosos do atual “sertanejo universitário”, que ela admite não gostar. “O sertanejo universitário é ruim com suas ‘dancinhas’ ridículas e suas letras, e não tem o mesmo conteúdo poético que presente na verdadeira história da música sertaneja” afirma a jovem que ainda diz sentir falta de um local para se ouvir boas músicas ligadas ao sertanejo. “Aqui em Campo Grande tem apenas um local que toca “modão” de viola bom que é no Bartolomeu, apenas lá” comenta ela. Que também demonstra sua decepção com o fato de a Festa de Barretos, a maior festa de peão de boiadeiro da América e conhecida por ser reduto sertanejo, ter acrescentado também o funk da cantora Anitta a sua programação.
Lele Carreiro montou a Comitiva Tião Carreiro, que contou com a autorização da D. Marli filha única do sertanejo, para organizar as relíquias como fotos, músicas e vídeos, um projeto que ela toca sozinha nos tempos livres durante o seu trabalho na Tabacaria Os Brutos, propriedade de seu pai. Teve sua influência musical em casa ouvindo com seus pais as modas de viola e se apaixonando por este estilo musical.  “Me emociono, me arrepio e as vezes até choro, isso é o que a verdadeira música faz, ela toca o fundo da alma”, é o que ela nos relata enquanto diz sentir muito pelo fato de não poder ter ido a uma apresentação do “mestre”.
Lele Carreiro com certeza você não está sozinha neste sertão musical, assim como você muitos leitores do papolivre.net, com certeza tem o mesmo sentimento. Ouvir Tião Carreiro é viajar a um tempo em que as rádios se preocupavam com música boa em sua programação e não o que vemos hoje em dia que nada mais é que um apelo capitalista que os “blá-blá-blá” universitários e seus arrochas instituem aos nossos ouvidos.
Se quiserem saber mais a respeito do Rei das modas de viola acessem o site oficial mantido pela D. Marli, sua filha, http://www.tiaocarreiro.com.br/

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